Aprimoramento Moral

Nascer, morrer, renascer ainda e progredir continuamente ESTA É A LEI

“Ouçam os que têm ouvidos para ouvir”

Este texto foi idealizado para você, prezado leitor, que tem sede de conhecimentos novos sobre a vida. Visa, despretensiosamente, traçar um quadro preliminar, embora panorâmico, do que seja a DOUTRINA DOS ESPÍRITOS, de que tanto se fala e pouco se conhece.

Sem intuitos proselitistas, isto é, sem querer convencer a quem quer que seja, e com o respeito e consideração que merecem os profitentes de todos os credos, a DOUTRINA ESPÍRITA deseja fazer-se conhecida, com o propósito de cumprir sua elevada missão, que visa a transformação da humanidade, pela melhoria das massas, através do gradual aperfeiçoamento dos indivíduos.

Em primeiro lugar, é preciso desaprender o que se aprendeu errado, derrubando mitos e destruindo preconceitos gerados pela ignorância e ou pela má fé de alguns, pois “todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita ou espiritista”.

Daí para a frente, fica por conta de seu livre-arbítrio, de seu esforço, de sua inteligência…

II – O QUE É ESPIRITISMO?

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: – o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. – Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito.”

(João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26).

O ESPIRITISMO é a Revelação prometida pelo CRISTO DE DEUS para os séculos em que a Humanidade alcançasse um grau de assimilação mais elevado, de maior amadurecimento. O esquecimento da Verdade e as distorções premeditadas que a mensagem evangélica sofreu ao longo dos tempos também são determinantes do advento do CONSOLADOR.

Por meio de provas irrecusáveis, o ESPIRITISMO comprova a existência e a natureza do Mundo Espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo.

Difere o ESPIRITISMO de todas as religiões conhecidas, por demonstrar a lógica de seus ensinos através de experiências científicas documentadas por uma legião de sábios de renome internacional. Além de confirmar os ensinamentos básicos de todas as religiões, não pretende demolir ou combater as que o precederam. Antes, reconhece a necessidade da existência delas para grande parte da Humanidade, cuja evolução se processa lenta e gradualmente.

Em suma, nada diz em contrário do que ensinou JESUS, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros a toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica, porque é certo que, há dois mil anos atrás, ainda havia muita coisa a ser dita, mas o povo ainda não estava preparado (João, Cap. XIV, v. 7 e Cap. 16, v. 12) para recebê-las.

Chama os homens à observância da Lei, fazendo compreender o que JESUS só disse por parábolas. O próprio CRISTO advertiu: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir”. O ESPIRITISMO vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios, cumprindo a promessa de JESUS de que não mais nos falaria por comparações (João, Cap. XVI, v. 25).

Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.

Assim, o ESPIRITISMO realiza o que JESUS disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo com que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.

II.1 – COMO SURGIU O ESPIRITISMO?

“Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos sonhos.”

(Atos, Cap. II, vv. 17 e 18).

Revelada pelos Espíritos Superiores, mensageiros de JESUS, através de médiuns, e organizada, compilada e codificada por um educador francês, de nome ALLAN KARDEC, também é conhecida como a Doutrina da Terceira Revelação, depois de MOISÉS e do próprio CRISTO.

A Doutrina Espírita, portanto, não está personalizada em KARDEC, como aconteceu com MOISÉS e CRISTO, nas duas primeiras revelações, mas se trata de um ser coletivo, do qual KARDEC foi o instrumento de que se serviu o Alto para completar a mensagem de CRISTO, que ele mesmo havia prometido.

Os fenômenos psíquicos, tão velhos quanto o mundo, só atraíram a atenção dos intelectuais e pesquisadores, quando surgiram os ocorridos no vilarejo de HYDESVILLE, Estado de Nova Iorque, em 31/12/1848, na América do Norte.

O acontecimento de Hydesville repercutiu na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das “mesas girantes e falantes”, ocorridos entre 1853 e 1855, preparou o advento do Espiritismo. Naquela época, em cumprimento às profecias, o mundo assistia perplexo, a uma verdadeira “invasão organizada” dos espíritos.

A época oficial da instituição do Espiritismo, como Doutrina, somente aconteceu em 18/04/1857, data do lançamento do “LIVRO DOS ESPÍRITOS”, ditado pelos espíritos superiores, e compilado por KARDEC.

É importante observar que o aparecimento do Espiritismo no Planeta só se deu após a grande revolução dos transportes e das comunicações, na primeira metade do século XIX, no auge do movimento positivista, ocorrido na Europa.

A Humanidade já havia alcançado um estágio de entendimento suficiente para estudar tais fenômenos, à luz dos conhecimentos científicos até então adquiridos, com destaque para os princípios do Magnetismo e a Eletricidade.

II. 2 – ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS DO CODIFICADOR

“Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, esta é a Lei.”

(KARDEC)

Aclamado pelo astrônomo CAMILLE FLAMMARION como o “BOM SENSO ENCARNADO” , ALLAN KARDEC reencarnou em Lyon, França, aos 03 de outubro de 1804. Seu nome verdadeiro era HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL, tendo estudado na Suíça como discípulo do célebre professor PESTALLOZZI.

Poliglota e autor de várias obras de ciências exatas e língua francesa, era filho de tradicional família de magistrados e professores.

Fundou, em Paris, a 01/04/1858, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde se dedicou, durante vários anos, à publicação da Revista Espírita (Revue Spirite – Journal D’études Psychologiques), em que, com o concurso de vários estudiosos e cientistas de renome, publicava o resultado de suas experiências científicas a respeito da nova Doutrina.

Encarregado da codificação do Espiritismo, por determinação do Mundo Maior, quando contava, aproximadamente, 50 anos, adotou, na busca da Verdade, o método intuitivo-racionalista pestallozziano, na análise dos fatos pela observação, pela experiência e analogia, através do critério INTUITIVO, isto é, do particular para o geral.

A partir desses critérios, observados com rigor científico, compilou e codificou as cinco obras básicas do Espiritismo:

1o) 1857 – O LIVRO DOS ESPÍRITOS (cunho filosófico).

2o) 1861 – O LIVRO DOS MÉDIUNS (cunho prático/experimental).

3o) 1864 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (cunho moral)

4o) 1865 – O CÉU E O INFERNO (estudo sobre a situação da alma durante e após a morte e sobre as penalidades e recompensas futuras).

5o) 1868 – A GÊNESE (estudo sobre a criação do Universo, segundo as leis da Natureza).

Depois de intensa atividade, em que se dedicou com amor, lealdade, afinco e esforço heróico à causa, ALLAN KARDEC desencarnou em Paris, a 31 de março de 1869.

II.3 – ASPECTO TRÍPLICE DO ESPIRITISMO

“Para Crer, não basta ver. É preciso, sobretudo, COMPREENDER.

A DOUTRINA ESPÍRITA está fundamentada em aspecto tríplice, que abrange a Ciência, a Filosofia e a Religião.

II.3.A – CIÊNCIA

“Fé sólida é aquela que pode encarar a razão face a face.”

(KARDEC)

O Espiritismo é Ciência, porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos, os fenômenos mediúnicos, isto é, fenômenos provocados pelos espíritos e que não passam da fatos naturais. Não existe o sobrenatural e o milagre no Espiritismo. Todos os fenômenos, por mais estranhos que pareçam, têm explicação lógica. São, portanto, de ordem natural. As Leis Divinas são imutáveis. Assim, não é preciso revogá-las para convencer os homens incrédulos.

No aspecto científico, o Espiritismo demonstra experimentalmente a existência da alma e sua imortalidade, principalmente através do intercâmbio mediúnico entre os encarnados e os desencarnados, isto é, entre o plano físico e o plano espiritual.

O Espiritismo, termo empregado por KARDEC, para distinguir a Doutrina de outras correntes espiritualistas, não é uma concepção pessoal, nem o resultado de um sistema preconcebido. É a resultante de milhares de observações em todos os pontos do Globo e que convergiram para um centro que as coligiu e coordenou. Todos os seus princípios constitutivos, sem exceção de nenhum, são deduzidos da experiência. Esta sempre precedeu a teoria.

II.3.B – RELIGIÃO

Não creio porque creio, CREIO PORQUE SEI.”

Dizemos, também, que o Espiritismo é religião, porque tem por fim a transformação moral do homem, retomando os ensinamentos de CRISTO, para que sejam aplicados na vida diária de cada pessoa. Revive o Cristianismo na sua verdadeira expressão de amor e caridade, religando a criatura à sua origem divina.

A fé espírita é a “FÉ RACIOCINADA”. Seu lema é “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”, aqui significando “evolução espiritual”. Não diz “Fora do Espiritismo Não Há Salvação”, porque a Doutrina dos Espíritos admite que não está numa crença, pura e simplesmente, a condição indispensável para alguém ser “salvo”, pois qualquer um – seja qual for sua crença ou mesmo não tendo crença alguma – pode alcançar sua própria redenção, desde que observe as leis de Deus.

A caridade não é, como muita gente pensa, pura e simplesmente prestar auxílio material aos necessitados. Abrange, inclusive, três requisitos essenciais:

BENEVOLÊNCIA para com todos;
INDULGÊNCIA (isto é, compreensão) para com as falhas do próximo, o que não implica em cumplicidade com o erro; e PERDÃO às faltas alheias.
A caridade é a maior das virtudes, porque proporciona aos homens colocar em prática o mandamento essencial que consubstancia os demais: “AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO”.

O Espiritismo não possui culto material, não tem rituais nem cerimônias, não possui sinais cabalísticos ou símbolos, não admite o uso de imagens, não possui sacerdotes nem ministros.

Não admite nenhuma rotulação. Assim, não existem “Espiritismo de Umbanda” “Espiritismo de Mesa Branca”, “Baixo Espiritismo”, “Espiritismo Kardequista”. É Espiritismo, simplesmente. O que fugir da Codificação, deixa de ser Espiritismo.

É no seu aspecto religioso que repousa a sua grandeza divina, por constituir a RESTAURAÇÃO DO EVANGELHO DE JESUS, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza de seu futuro espiritual. De nada valeria todo o conhecimento científico do mundo sem a prática da caridade…

II.3.C – FILOSOFIA

“Estas coisas vos tenho dito por meio de figuras; vem a hora quando não mais vos falarei por comparações.”

(JOÃO, Cap. 16, v. 25)

O Espiritismo é uma filosofia porque, a partir dos fenômenos espíritas e dos fatos, dá uma interpretação da vida, explicando o porquê das dores, dos sofrimentos e das desigualdades entre as criaturas.

Neste aspecto, enquadra-se o estudo dos problemas da origem e destinação dos homens, bem como a existência de uma suprema inteligência, causa primária de todas as coisas.

Para todo efeito existe uma causa, e esta causa pode estar nesta ou em vidas anteriores.

Toda doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia.

III – DISTINÇÃO ENTRE MOVIMENTO ESPÍRITA E DOUTRINA ESPÍRITA

“Brasil, coração e celeiro do mundo, Pátria do Evangelho.”

É de vital importância que não se confunda Doutrina Espírita com Movimento Espírita.

Doutrina Espírita é o conjunto dos princípios básicos codificados por ALLAN KARDEC, que constituem o Espiritismo. Esses princípios estão contidos nas obras fundamentais, complementadas por vasta e profunda literatura.

Movimento Espírita é outra coisa. É o conjunto de atividades desenvolvidas, organizadamente, pelos espíritas, para pôr em prática a Doutrina Espírita, através de instituições, encontros fraternos, congressos, palestras, edições de livros, etc. O Movimento Espírita é, portanto, um meio para se aplicar a Doutrina Espírita, em todos os sentidos, para se divulgar os seus princípios e se exercitar a vivência de suas máximas.

A Doutrina Espírita, em si, está imune de deturpações, o que não acontece com o Movimento Espírita que, por ser um movimento livre de pessoas, sem obrigações de obediência compulsória a hierarquias religiosas que não possui, não goza da mesma imunidade, exigindo, em razão disso, de cada espírita em particular, de cada grupo ou instituição espírita, uma VIGILÂNCIA PERMANENTE, no mais alto sentido, para que nenhuma deturpação comprometa a pureza dos ideais abraçados.

Quase sempre há diferença entre os princípios de uma doutrina – seja ela qual for – e o comportamento de seus adeptos, porque, sendo espíritos em evolução, estão sujeitos a erros.

A Doutrina Espírita tem seu roteiro inconfundível, consubstanciado nas obras básicas e na vasta literatura suplementar, que abrange todas as áreas de conhecimento.

No Brasil, a importância do Movimento Espírita está ligada à sua missão de “PÁTRIA DO EVANGELHO”, visando, dentro do ideal cristão e pelo exemplo, espiritualizar o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios as sementes produtivas na construção da sociedade do futuro.

O Centro Espírita, como célula do Movimento Espírita, constitui-se em abençoada escola de almas, em lar de solidariedade humana, em “templo de corações”, onde se pratica o ESTUDO, a FRATERNIDADE, a ORAÇÃO e o TRABALHO, com base no Evangelho de JESUS, à luz da Doutrina Espírita.

A grande baliza dos esforços da Unificação do Movimento Espírita é, ainda, aquela palavra de ordem do Espírito da Verdade:

“ESPÍRITAS! AMAI-VOS, ESTE O PRIMEIRO MANDAMENTO; INSTRUÍ-VOS, ESTE O SEGUNDO.”

A razão de ser do Movimento Espírita só pode ser a divulgação e a prática da Doutrina Espírita. É nesse sentido que todas as potencialidades dos espíritas devem ser canalizadas, isto é, para a DIFUSÃO DO EVANGELHO REDIVIVO, à luz da imortalidade e da reencarnação, da justiça e do inesgotável amor divino.

IV – PRINCÍPIOS BÁSICOS DA DOUTRINA ESPÍRITA

“Aquele que crê em mim fará também as obras que faço, e outras maiores fará.”

(JOÃO, Cap. 14, v. 12).

A força da Doutrina Espírita está em seus princípios e na sua permanente possibilidade de comprovação. São eles: a existência, a unicidade, a justiça e a onipotente e paternal bondade de Deus; a imortalidade; a comunicabilidade dos espíritos; a reencarnação; e a evolução universal e infinita.

IV.1 – A Existência de DEUS

“O Reino de DEUS está dentro de vós.”

DEUS existe. É a origem e o fim de tudo. “DEUS é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.”

“Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais…”

DEUS é a causa primária de todas as coisas. DEUS é a suprema perfeição, com todos os atributos que a nossa imaginação possa conceber, e muito mais…

Não podemos ainda conhecer a Sua natureza, porque somos imperfeitos, pois uma inteligência limitada e imperfeita como a nossa não poderia abranger o conhecimento ilimitado e perfeito, que é DEUS, apesar de vivermos e nos movermos Nele…

DEUS é a inteligência das inteligências; a consciência das consciências; a causa das causas; o princípio dos princípios; a razão das razões…

IV.2 – Imortalidade

“Onde está, oh morte, a tua vitória? Onde está, oh morte, o teu aguilhão?”

(Coríntios, Cap. XV, v. 55).

Todas as religiões pregam a imortalidade. A Doutrina Espírita vem comprovar a imortalidade, resgatando o Espírito da matéria; matando a morte.

“O mundo espiritual é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo”.

Logo, a nossa pátria verdadeira é a espiritual. O mundo físico é apenas uma escola, onde burilamos o espírito. De lá viemos e para lá um dia retornaremos em definitivo, após sucessivas reencarnações, quando tivermos depurado completamente o nosso espírito.

Antes de sermos seres humanos, filhos de nossos pais, somos, na verdade, espíritos, filhos de DEUS. O Espírito é o princípio inteligente do Universo, criado por DEUS, simples e ignorante, para evoluir até a emancipação da alma e do intelecto, pelos seus próprios esforços. (“A cada um segundo suas obras”).

“A alma é um espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.”

Por ocasião da nossa morte, o que morre é o corpo, invólucro material do espírito, à semelhança de uma roupa velha que não se usa mais, passando o espírito para outras dimensões vibratórias, compatíveis à sua condição espiritual: “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” (JOÃO, Cap. 14, vv. 1-2).

Quando o espírito está na vida do corpo, dizemos que é uma alma ou espírito encarnado. Quando nasce, dizemos que reencarnou; quando morre, que desencarnou. Desencarnado, isto é, liberto da carne, volta para o Plano Espiritual ou Espiritualidade, de onde veio ao nascer.

“Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranqüilamente a hora da sua partida para o outro mundo.”

“No espírito atrasado, a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às APARÊNCIAS, o homem não distingue a vida além do corpo, embora esteja na alma a VIDA REAL; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperado…”

Portanto, o apego excessivo aos bens materiais nos distancia de DEUS e da compreensão de nosso destino espiritual. Somos meros detentores provisórios dos bens materiais, simples usufrutuários, que nos são dados de empréstimo por DEUS, como instrumento do progresso intelectual e moral.

IV.3 – Comunicabilidade dos Espíritos

“A letra mata, o espírito, ao contrário, vivifica.”

(Romanos, Cap. 2, vv. 25-29).

O espírito desencarnado pode comunicar-se com os “vivos”, se puder e se DEUS permitir. Essa comunicação, no caso ostensiva, depende do tipo de mediunidade ou de faculdade do médium: pode ser pela fala (psicofonia); pela escrita (psicografia); por batidas (tiptologia); materializações, etc.

Mas, toda e qualquer comunicação não deve ser aceita cegamente; precisa ser encarada com reserva, examinada com o devido cuidado, para não sermos vítimas de espíritos enganadores e da mistificação dos “vivos”. A comunicação varia de acordo com a conduta moral do médium. Se for uma pessoa idônea, de bons princípios morais, oferece campo para a aproximação e manifestação de bons espíritos.

Os espíritos são seres humanos desencarnados, que levam para o outro lado suas paixões, suas tendências, suas virtudes, seus defeitos, enfim, a soma de seu estágio evolutivo. Eles são o que eram quando “vivos”: bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos. Estes fatores, conseqüentemente, determinam a categoria e a natureza das comunicações espirituais.

Os espíritos estão por toda parte. Não estão ociosos. Pelo contrário, têm suas ocupações, como nós, os encarnados, temos as nossas, e somos influenciados por eles mais do que suspeitamos. Logo, eles podem ser considerados uma das forças da Natureza, pela ligação fluídico-psíquica, de característica eletromagnética, que intercambiam conosco.

A Doutrina Espírita alerta as pessoas contra as mistificações e contra os falsos médiuns, que tentam iludir o público menos avisado em troca de vantagens materiais.

Mediunidade e Espiritismo não se confundem. A mediunidade sempre existiu e pode se manifestar em qualquer meio, crédulo ou não.

“Os espíritos encarnados habitam os diferentes Globos do Universo…” DEUS não faz nada que seja inútil. Os bilhões de estrelas que pintam a cúpula celeste, no período noturno, não foram feitos apenas para enfeitar nossos olhos.”

“Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo…”

“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, das palavras ou das outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumento…”

“A moral dos Espíritos Superiores se resume, como a do CRISTO, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.”

IV.4 – Reencarnação

“Ninguém pode ver o reino de DEUS se não nascer de novo.”

(JOÃO, Cap. III, vv. 1-12)

O princípio fundamental do Espiritismo é a REENCARNAÇÃO ou Doutrina das Vidas Sucessivas. É a Reencarnação a chave de todos os mistérios, a solução de todos os problemas que sempre afligiram a Humanidade, a resposta para todos os porquês da existência, revelando a natureza do destino dos homens, mostrando a razão das desigualdades entre os seres humanos, apresentando, assim, DEUS como um Pai infinitamente bondoso, justo, imparcial…

A Lei dos renascimentos, também conhecida nos meios científicos como PALINGENESIA, explica e completa o princípio da imortalidade.

Criado simples e ignorante, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino. Para isso, é dotado do livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Desse modo, ele tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.

Para alcançar essa evolução, requer-se aprendizado, e o espírito só pode alcançá-lo, encarnando no mundo e reencarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimentos, através das múltiplas experiências da vida.

Não se pode compreender que o espírito, destinado à perfeição, consiga realizar toda sorte de progresso numa só existência física. A Lei da Reencarnação nos demonstra, desta forma, que “a Natureza não dá saltos.”

O progresso adquirido pelo espírito, pelas experiências vividas nas inúmeras existências, não é somente intelectual, mas, sobretudo, o progresso moral, que vai aproximá-lo cada vez mais de DEUS.

Mas, assim como o aluno pode repetir o ano escolar, uma, duas ou mais vezes, o espírito que não aproveita bem a sua existência na Terra pode permanecer estacionário por muito tempo, conhecendo maiores sofrimentos, e atrasando, assim, sua evolução.

IV.4.1 – O ESQUECIMENTO DO PASSADO

“O pecado está na consciência”.

(Romanos, Cap. 14, v. 14).

O esquecimento do passado é uma misericórdia de DEUS aos nossos pesados débitos do passado. Não lembramos das existências passadas e nisso está a sabedoria divina, embora tragamos o conhecimento do passado em estado intuitivo.

Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente, pois, muitas vezes, os inimigos do passado, hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos, que presentemente se encontram junto de nós para a reconciliação. Por isso, também, existe a reencarnação. É A LEI DO AMOR.

A reencarnação, desta forma, é a oportunidade de reparação, como é, também, oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual.

Quando reencarnamos, trazemos um “plano de vida”, compromissos assumidos perante a Espiritualidade e perante nós mesmos, e que dizem respeito à reparação do mal e à prática de todo o bem possível. Dependendo de nossas condições espirituais e merecimento, podemos ou não ter escolhido as provas, os sofrimentos, as dificuldades que provarão nosso desenvolvimento espiritual.

A reencarnação, portanto, como MECANISMO PERFEITO DA JUSTIÇA DIVINA, explica-nos porque existe tanta desigualdade de destino das criaturas da Terra. Por ela, verificamos que DEUS não castiga. Somos nós os causadores dos próprios sofrimentos, pela Leia da “Ação e Reação”.

IV.5 – Evolução

“Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá.”

“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus de hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como EXPIAÇÃO, e a outros como MISSÃO. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral…”

“As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas…” Logo, não há retrocesso na evolução.

“As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um espírito impuro…”

Cada um de nós é um espírito encarnado a caminho de DEUS. Embora a escolha entre o bem e o mal nos pertença, o retorno a DEUS é uma fatalidade, porque trazemos em gérmen todos os atributos divinos, que compete a nós desenvolvê-los, como filhos de DEUS. O mal em si é transitório, ainda que perdure milênios. Achamo-nos apenas em luta pela vitória imortal de DEUS, contra a inferioridade do “eu” em nossas vidas. TODA EXPRESSÃO DA IGNORÂNCIA É FICTÍCIA. SOMENTE A SABEDORIA É ETERNA. Alguns séculos de reencarnações terrestres constituem tempo escasso para reeducar inteligências pervertidas no crime.

De sorte que as conseqüências boas ou más são resultado de nossas próprias decisões, que podem atravancar ou acelerar nossa evolução.

Não há céu nem inferno, conforme descrevem as religiões tradicionais. Existem, sim, estados de alma que podem ser descritos como celestiais ou infernais.

Em síntese, DEUS, em sua suprema sabedoria e imparcialidade, bondade e misericórdia, nos criou todos iguais, simples e ignorantes, dotando-nos do livre arbítrio. Vamos construindo as diferenças pelo bom ou mal uso que fazemos desse livre-arbítrio.

Os “anjos” e “demônios” são os espíritos superiores e inferiores, isto é, criaturas em estágios evolutivos diferentes, estes últimos também a caminho da perfeição. Os bons se tornando cada vez melhores e os maus se regenerando. Assim é que, também, devemos encarar os nossos semelhantes encarnados, irmãos de jornada evolutiva. DEUS não quer que nenhum de seus filhos se percam, e a Vontade de DEUS, a Suprema Vontade, é a Lei.

Sendo o Bem o fim supremo da Natureza, quem não se voltar a ele por Amor, voltará impulsionado pelo aguilhão da dor, do tédio, da angústia, por estar infringindo uma Lei Divina.

Se a sorte do ser humano fosse inapelavelmente selada após a morte, todos estaríamos perdidos, visto termos sido muito mais maus do que bons e quase ninguém, hoje em dia, mereceria ir para o céu de bem-aventuranças, onde só caberiam os puros.

Por outro lado, uma vida, por mais longa que seja, não é suficiente para nos esclarecer a respeito dos planos de DEUS. Muitos não têm sequer como garantir a própria sobrevivência e muito menos ainda oportunidade de uma boa educação. Muitos não foram orientados para o bem. Outros, morrem cedo demais, antes mesmo de se esclarecerem sobre o melhor caminho a seguir.

Para medirmos o quanto de absurdo existe na idéia de inferno como pena eterna, basta que formulemos as seguintes perguntas:

“Como é que DEUS, sendo o Supremo Saber, sabendo inclusive o nosso futuro, criaria um filho, sabendo que ele iria para o inferno para toda a eternidade? Que DEUS seria esse? Onde está a sua bondade e a sua misericórdia? E como ficaria no céu uma mãe amorosa, sabendo que seu filho querido está ardendo no fogo do inferno?

Portanto, ninguém está perdido. Cada qual tem a oportunidade que merece. Se um pai humano, que é imperfeito e mau, não é capaz de condenar eternamente um filho, por pior que seja, quanto mais DEUS, que é o Pai Misericordioso e Perfeito, que faz chover sobre os bons e os maus, que faz com que a luz do sol ilumine os justos e injustos, indistintamente.

Disse o CRISTO: “Ninguém pode ver o Reino dos Céus se não nascer de novo”. Referia-se ao nascimento do corpo e ao renascimento moral das criaturas, isto é, ao nascimento pela “água e pelo espírito”. Daí sabermos que a vida é sempre uma nova oportunidade de reconciliação com os ideais superiores do Bem e da Verdade. Seguir o exemplo vivo de JESUS deve ser o ideal de todo cristão sincero.

Não adianta dizermos que pertencemos a esta ou àquela religião. Não adianta permanecermos orando o tempo todo. O importante é a prática, é a vida de todos os dias, porque, como disse Tiago: “A FÉ SEM OBRAS É MORTA”. E por falar em fé, como está a nossa vida?

– Como temos tratado nossos familiares: nosso pai, nossa mãe, nossos irmãos, nossos filhos, esposa ou esposo?

– Como tratamos as pessoas estranhas?

– Como nos conduzimos no trabalho, na escola, no clube, na vida pública em relação às outras pessoas com quem convivemos?

– Como reagimos a uma ofensa? A um gesto de agressão? A uma calúnia? A uma ingratidão? A uma decepção na vida?

– Como reagimos a um problema familiar? À perda de um ente querido? A uma doença incurável?

– E o que vimos fazendo em favor dos necessitados? Dos carentes? Dos enfermos?

Não há outra maneira de amar, se não formos caridosos. Caridade é ser benevolente, tolerante, paciente, humilde. É fazer para os outros o que desejamos que nos façam. Como não queremos que nos façam o mal, mas todo o bem possível, assim também devemos agir para com eles familiares, parentes, amigos, estranhos e até inimigos.

A obrigação do cristão é ser trabalhador do bem, dando sua parte, por pequena que seja, na luta por um mundo melhor. A montanha é feita de pequeninos grãos de areia. O oceano é composto de ínfimas gotas de água.

Podemos fazer tudo isso, cuidando melhor de nossas atitudes, vigiando nosso comportamento diário, sendo mais atenciosos e gentis, vendo nos outros mais qualidades e, finalmente, sendo mais exigentes para conosco mesmos, porque o homem inferior julga os outros, o superior a si mesmo.

Auxiliar os pobres, socorrer os desesperados, assistir aos doentes, orientar o desajustado, levar palavras de conforto e esperança ao aflito, divulgar e viver os ensinamentos de JESUS, tudo isso constitui as bases do verdadeiro amor por ele ensinado e exemplificado, há quase 2.000 anos. É a única maneira de evoluir.

V – CONCLUSÃO

“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.”

A Terra é um mundo de categoria moral inferior, haja visto o panorama lamentável em que se encontra a Humanidade. Contudo, nosso Planeta de Provas e Expiações, seguindo a Lei implacável da evolução, está caminhando para se transformar em Esfera de Regeneração, quando, finalmente, o bem sobrepujará o mal.

O Progresso da humanidade, sem dúvida, é lento, muito lento mesmo, mas constante e ininterrupto. Ainda quando pareça estar regredindo, o que ocorre em certos períodos transitórios, esse aparente recuo não é senão o PRENÚNCIO DE NOVA ETAPA DE ASCENSÃO.

A Terra passa, atualmente, por um período de transição muito importante. Entramos em um final de ciclo ou estágio, denominado, alegoricamente, de “FINAIS DOS TEMPOS”, onde se processa, gradualmente, a seleção de almas, ou “separação do joio do trigo”. É A HORA DO PARTO DOLOROSO. De alguma forma, todos estamos sendo convocados aos testemunhos mais difíceis. Os que não se adaptarem ao novo padrão vibratório que imperará, em futuro próximo, serão expurgados para outros orbes menos adiantados moral e intelectualmente, onde terão – graças à misericórdia infinita de DEUS – nova oportunidade de resgate, auxiliando, assim, outros irmãos menos evoluídos, em sua caminhada.

Todos estamos sendo convocados a voltar-se para DEUS enquanto é tempo, numa última oportunidade ao chamamento dos que herdarão a Terra, porque o mundo velho está ruindo, e com ele muitas edificações enobrecidas estão sendo postas abaixo pela fúria destruidora.

Estamos no limiar de uma Nova Era e no crepúsculo da cultura e da civilização do passado. Momento grave este que vivemos no Planeta, quando os valores éticos enobrecidos cedem lugar ao desequilíbrio e às manifestações do primitivismo, que devem desaparecer da estrutura psicológica da criatura humana.

A sentença de ordem é VIGIAR E ORAR, perseverando nos deveres e abraçando a cruz da renúncia pessoal. A hora é de servir e passar, ignorados talvez, nunca ignorantes da Verdade, desprezados possivelmente, jamais desprezíveis diante da consciência ilibada.”

Em resumo, é preciso aproveitar bem a nossa sagrada oportunidade de ter reencarnado neste Planeta, escola e oficina indispensável ao aperfeiçoamento de nosso espírito.

A fé cega está cedendo lugar à fé raciocinada. Para podermos crer de verdade, antes de mais nada, precisamos COMPREENDER aquilo que devemos crer. É o convite que a Doutrina Espírita nos faz, traçando o objetivo supremo de levar o indivíduo à REFORMA ÍNTIMA, AO BURILAMENTE INTERIOR, À CONQUISTA DE SI MESMO. Conforme KARDEC, “reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações”.

Com muita propriedade, KARDEC asseverou que “fé inabalável é aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Divisando, de um plano mais alto, a Vida, concluímos que o espírita deve ser um estudioso permanente, sempre em busca de conhecimentos que possam contribuir para o aprimoramento de seu espírito; deve ser, acima de tudo, um praticante incondicional da Caridade.

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